Quinta-feira, Junho 30, 2005

COMO ÁGUA PARA CHOCOLATE...

Estou indo para Málaga por uma semaninha de praia e sol... uúuuuu!
Antecipando o prazer!
Aqui vai só um rewind até a minha volta!
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Além das flores campestres, do clima ameno desta estação do ano e minha paixão pelas amapolas, ando enfeitiçada como nunca pelas rosas.
Tenho-as de todas as cores e tamanhos... amarelas, laranjas, vermelho-paixão, brancas, cor-de-rosas, mesclas de duas ou três cores...
Uma mistura perfeita da natureza.
Há centenas delas em torno de minha casa e em torno de todas as casas de todos os pueblos pelos quais passamos no caminho de Santorcaz a Madrid. Nunca havia visto tantas, nem tão lindas!
Aqui elas são plantadas nas praças, nos canteiros das ruas, nos circuladores, nas varandas das casas...
É impressionante!
E as pessoas respeitam. Ninguém sai de casa com uma tesoura na mão para fazer um jarro ou vender nos bares da vida.
Elas ficam lá. Enfeitando a vida de todos que passam.

E temos as chuvas de primavera.
Adoro a chuva.
Sempre gostei dos dias de tempestade, desde criança.
Meu pai nos levava ao terraço para ver o espetáculo dos relâmpagos e esperar com prazer os fortes trovões, e eu temia mais que os raios.
Às vezes ele escutava Carmina Burana nas noites de tormenta do Poço da Panela.
Até hoje, eu associo uma à outra.

Acostumada a atirar-me sob as caudalosas chuvas de Casa Forte e pular de alegria pelo banho frio, com roupa e tudo, esperava ansiosa pelas chuvas da primavera em Santorcaz.
Finalmente chegaram. Fortes e barulhentas, como as minhas. A primeira tormenta que fez ruído no telhado de minha casa, tirei os sapatos com riso de criança, corri para fora e tchum! saltei sob a água, rindo com cara de feliz.
Dois segundos...
Foi o que durou a felicidade.
A cara continuou rindo porque fiquei absolutamente gelada e dura. Nos segundos seguintes, a chuva já era granizo. Pedrinhas de gelo quebrando no telhado e em cima de mim. Brrrr! Fiquei verde, depois azul e roxa...
Um arco íris passou pela minha boca. Virei rosa rara, multicor. Tremi por meia hora, enrolada numa manta de lã, tomando um chá quente, e rindo de mim mesma. Que mania a gente tem de pensar que pode repetir o passado!
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As bruxas...
Lembram das árvores-bruxas e seus pendões rosa-sem-nome?
Estão deslumbrantes, bem na porta da minha cozinha. Me embruxam de beleza a cada café-da manhã... e me pergunto porque não posso dividir esse momento com meus amigos mais queridos?
Tá bom, tá bom! Já sei a resposta. "É que não podemos ter tudo de uma só vez." Diria minha mãe.
E então vocês podem estar se perguntando: " e que título é esse que a louca botou no post?

Pois sim. Nesse filme, o médico que cuidava da tristeza de Tita disse assim:
" Precisamos ter cuidado com a tristeza e também com a felicidade. Uma dose exagerada de uma das duas, mata..."

Achei que era uma resposta melhor...

PS. Lá no Língua de Mariposa eu falo desse assunto.


posted by Nora Borges 7:43 PM
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