Quinta-feira, Julho 28, 2005
EU E MINHAS MUITAS MUDANÇAS...
Chegou a hora de decidir o futuro deste blog. Eu sei que ele é muito querido, tanto por mim quanto por vocês. Mas não estou podendo manter os dois. A partir de agora vou manter um único blog. O Língua de Mariposa.
Assim, decidi o seguinte: vou começar a escrever os novos posts sobre a Espanha lá. E, para não perder tudo o que já publiquei, estou fazendo um back up dos antigos posts num blogspot, já que agora se pode postar fotos com tranqulidade.
A maioria dos amigos que frequenta o Cicatrizes da Mirada já leu e releu os posts passados, então o link desse novo espaço estará à disposição de todos no side bar do Língua de Mariposa apenas para podermos acessar algum arquivo sobre as muitas cidades espanholas que já visitei.
Estou arquivando-os diariamente para que não fique muito pesado abrir qualquer um deles. Se alguém quiser ir lá direto é só clicar Aqui. Mas aviso que estou indo muiiiito devagar!
Bueno... é isso. Por enquanto.
Espero que a partir de hoje, eu possa atualizar com mais frequência um único blog e dinamizá-lo mais.
Vai ser mais cômodo para mim e acho que também para vocês!
Não fiquei tristes meus queridos! Prometo não fechar a janela... só vou mudar de sala!
Agora a janela é azul!
Vão lá...
posted by Nora Borges 12:41 PM
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Quarta-feira, Julho 20, 2005
DESCANSANDO...
Estou descansando um pouco pelos ventos quentes de Madrid.
Enquanto isso, penso seriamente no futuro desse blog.
Ainda não decidi o que vou fazer. Depois eu digo...

posted by Nora Borges 12:18 PM
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Quinta-feira, Junho 30, 2005
COMO ÁGUA PARA CHOCOLATE...
Estou indo para Málaga por uma semaninha de praia e sol... uúuuuu!
Antecipando o prazer!
Aqui vai só um rewind até a minha volta!
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Além das flores campestres, do clima ameno desta estação do ano e minha paixão pelas amapolas, ando enfeitiçada como nunca pelas rosas.
Tenho-as de todas as cores e tamanhos... amarelas, laranjas, vermelho-paixão, brancas, cor-de-rosas, mesclas de duas ou três cores...
Uma mistura perfeita da natureza.
Há centenas delas em torno de minha casa e em torno de todas as casas de todos os pueblos pelos quais passamos no caminho de Santorcaz a Madrid. Nunca havia visto tantas, nem tão lindas!
Aqui elas são plantadas nas praças, nos canteiros das ruas, nos circuladores, nas varandas das casas...
É impressionante!
E as pessoas respeitam. Ninguém sai de casa com uma tesoura na mão para fazer um jarro ou vender nos bares da vida.
Elas ficam lá. Enfeitando a vida de todos que passam.
E temos as chuvas de primavera.
Adoro a chuva.
Sempre gostei dos dias de tempestade, desde criança.
Meu pai nos levava ao terraço para ver o espetáculo dos relâmpagos e esperar com prazer os fortes trovões, e eu temia mais que os raios.
Às vezes ele escutava Carmina Burana nas noites de tormenta do Poço da Panela.
Até hoje, eu associo uma à outra.
Acostumada a atirar-me sob as caudalosas chuvas de Casa Forte e pular de alegria pelo banho frio, com roupa e tudo, esperava ansiosa pelas chuvas da primavera em Santorcaz.
Finalmente chegaram. Fortes e barulhentas, como as minhas. A primeira tormenta que fez ruído no telhado de minha casa, tirei os sapatos com riso de criança, corri para fora e tchum! saltei sob a água, rindo com cara de feliz.
Dois segundos...
Foi o que durou a felicidade.
A cara continuou rindo porque fiquei absolutamente gelada e dura. Nos segundos seguintes, a chuva já era granizo. Pedrinhas de gelo quebrando no telhado e em cima de mim. Brrrr! Fiquei verde, depois azul e roxa...
Um arco íris passou pela minha boca. Virei rosa rara, multicor. Tremi por meia hora, enrolada numa manta de lã, tomando um chá quente, e rindo de mim mesma. Que mania a gente tem de pensar que pode repetir o passado!
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As bruxas...
Lembram das árvores-bruxas e seus pendões rosa-sem-nome?
Estão deslumbrantes, bem na porta da minha cozinha. Me embruxam de beleza a cada café-da manhã... e me pergunto porque não posso dividir esse momento com meus amigos mais queridos?
Tá bom, tá bom! Já sei a resposta. "É que não podemos ter tudo de uma só vez." Diria minha mãe.
E então vocês podem estar se perguntando: " e que título é esse que a louca botou no post?
Pois sim. Nesse filme, o médico que cuidava da tristeza de Tita disse assim:
" Precisamos ter cuidado com a tristeza e também com a felicidade. Uma dose exagerada de uma das duas, mata..."
Achei que era uma resposta melhor...
PS. Lá no Língua de Mariposa eu falo desse assunto.
posted by Nora Borges 7:43 PM
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Terça-feira, Junho 21, 2005
UMA SEMANA CERVANTINA...
De 04 a 11 de outubro de 2005.
Atenção ao toque das trompetas!
Tan-tan-tan-taaaaannnn!!!
A semana cervantina será uma homenagem a Miguel de Cervantes.
O casco antigo de Alcalá de Henares , a cidade berço do autor, se disfarçará de Século de Ouro, as ruas do centro se cobrirão de palha e serão tomadas por atores engalanados com os trajes dos grêmios mais diversos da época.
Na Plaza de Cervantes se celebrará o Mercado. Ali se poderá encontrar alimentos elaborados de forma artesanal como empanadas,pães, mel e licores. Também se venderá utensílios, flores secas, bonecas de trapo ou objetos esotéricos.
Todo o centro da cidade se converterá em um teatro ao ar livre, onde diversos atores realizarão interpretações improvisadas e muitos músicos darão um ambiente festivo à cidade medieval.
Além disso, animais soltos pelas ruas como águias, cavalos, galinhas, burros ou vacas, terminarão de dar esse colorido medieval ao Casco Histórico
O dia do batismo de Cervantes, 09 de outubro, será o grande dia de toda a semana.
Desde a primeira hora da manhã, todos os que quiserem poderão apontar-se para ler em voz alta, na Plaza de Carvantes, uma parte de D. Quixote.
Não será um programão???
Heim???
Eu não vou perder de jeito nenhum! E você?
Sabia que as passagens em outubro são 40% mais baratas que nos messes de julho, agosto e setembro.
E quase 60% mais baratas que na época de Natal e Ano Novo?
Pois é...
Ta-tan-tan-taaaaannnn!!!
Tocam as trompetas!
posted by Nora Borges 5:55 PM
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Terça-feira, Junho 07, 2005
MAIS DE ARTE ESPANHOLA...
Desde que estou vivendo em Madrid, minha paixão pela pintura multiplicou-se.
Se por um lado fazia algumas pesquisas para ajudar minha filha nos estudos da História da Arte Espanhola e por outro frequentava algumas classes desta matéria na UNED como ouvinte, também crescia meu conhecimento quando, a cada visitante que recebia em casa, levava-o a conhecer o Museo del Prado e as principais catedrais das cidades mais próximas. Todas com arcervos artísticos dignos de nota e encantamento.
Claro, não me considero conhecedora de arte. Apenas uma apreciadora mais interessada porque mais informada.
Várias vezes abordei aqui o tema da pintura, postando escritos sobre o Prado, ou o Rainha Sofia, ou ainda o Tyssen, Museu Picasso, Fundação Gala-Dalí e o Museu de Sorolla. Já contei sobre exposições de Manet, Vermeer, el Greco, Velazquez, Tiziano, Murillo...
É uma pena que quase nada disto que já foi publicado permaneça neste blog.
De qualquer forma, eu continuo escrevendo...
Hoje trago mais um mago espanhol, mais um mestre: Juan José de Ribera, mais conhecido como Guiseppe Ribera, Il Espangnoletto.
Apesar de ter nascido na região valenciana, na Espanha, o pintor passou quase toda a sua vida na Itália e morreu sem jamais ter voltado a ver sua pátria.(Dir.La Vista)
É verdade que naquela época Nápoles estava sob domínio espanhol e a obra de Ribera gozava de grande apreço e admiração pelas autoridades eclesiásticas e políticas napolitanas do século XVII, pricipalmente depois de seu casamento com a filha de um pintor conhecido da região, Gian Bernardo Azzolino.
Mas o fato é que acabou sendo estrangeiro nos dois países. Na Itália era considerado um pintor alheio à tradição e gosto italiano, portador de uma certa "brutalidade ibérica" por seu estilo naturalista, pintando os santos em seus martírios com uma dose exagerada de realismo.(Esq. El Tacto)
A Espanha , apesar de contar com muitas obras suas, pois boa parte de sua clientela era espanhola, dizem os historiadores que o mais substancial de sua produção não se encontrava aqui, de forma que ele foi visto e estudado parcialmente e sem grande profundidade.(Dir.El Olfato)
Só nos últimos 30 anos essa injustiça foi corrigida e historiadores de ambos países se uniram para estudar e publicar seus conhecimentos sobre o pintor.
Sorte nossa. Em um dos volumes da coleção que estamos fazendo pelo El Mundo, Ribera é considerado gênio da pintura universal. E ele merece.
Suas telas com motivos religiosos é profusa. Claro, estamos falando do Século XVII. E nenhum grande pintor podia escapar dessa sina: trabalhar para os conventos, igrejas e palácios episcopais.
Por minha parte, se tenho que escolher algumas das suas obras para publicar aqui, não poderia deixar de fora as minhas prediletas. A série dos Cinco Sentidos, dos quais apenas El Oído não está aqui.(Esq.El Gusto)
São espetaculares!
E a mais curiosa de sua pinturas é a Mulher Barbuda, feita por encomenda para o terceiro Duque de Alcalá, governante de Nápoles.
Vou transcrever aqui o comentário feito pelo embaixador de Veneza em visita ao estúdio do pintor em fevereiro de 1631. " Na sala do virrey estava um pintor famosíssimo fazendo um retrato de uma mulher de Abruzzos casada e mãe de muitos filhos, a qual tem o rosto totalmente viril, com mais de um palmo de barba negra e belíssima e o peito todo peludo, teve sua excelência muito gosto em vê-la, como coisa maravilhosa, e em verdade que o é."
Este é um dos quadros mais insólitos da pintura européia do século XVII.
Quando o vi no Prado, em uma exposição no ano passado, passei uma eternidade diante dele. Impressionada com a pintura e mais ainda com o caso, que está descrito na própria tela pelo pintor.
Se quiserem vê-la, hoje em dia a obra está em Toledo, no Palácio Lerma Fundação Casa Ducal de Medinacelli.
A história é a seguinte: Maddalena Ventura era uma mulher de aparência normal, casada e mãe. Aos 37 anos, "por um grande milagre da natureza" havia crescido nela uma larga barba. Quando chegou em Nápoles com 52 anos, vinda de Abruzzos, sua aparência chamou a atenção da comunidade médica.
Ribera pintou, com o caracter documental de um caso clínico, a Maddalena com um de seus filhos nos braços e o marido a sua direita.
Sobre um bloco de pedra, Ribera pintou um fuso e fios de lã, como símbolo do paradoxo da natureza feminina da mulher que contrasta com seu aspecto masculino.
Apesar da finalidade documental, o artista conseguiu traduzir o drama psicológico desta mulher transformada em homem e a resignação de seu marido.
Não é mesmo um quadro insólito?
Bueno... há obras espetaculares de Ribera espalhados pelo mundo.
Muitos na Espanha, onde também foi profusamente copiado pelos artistas contemporâneos e posteriores à sua época de glória, mas também em França, EUA, Rússia, México, Hungria, e naturalmente, na Itália.
Meu livrinho aqui, ao preço de um bocadillo, traz as melhores delas para o aconchego da minha sala de estar...
E para aproveitar ao máximo o momento, um café na caneca azul... e a música barroca italiana para orquestra e oboé.
Lá fora há trovões e relâmpagos prometendo tempestade...
Que tarde!
Ps: Para ver mais de Ribera clique AQUI.
posted by Nora Borges 3:35 PM
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Um Ninho
As impressões de uma brasileira que vive desde 2002 no lindo país de Cervantes...
Este blog pretende ser apenas uma mirada singular sobre sua cultura, arte e gente, sua história e sua beleza.
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